Saí um parto saudável para a menina do canto

parto saudável

Se existe um ponto de acordo entre todos os envolvidos em qualquer processo de nascimento (equipas médicas, parturiente e sua família), como sendo prioritário assegurar, é a questão do parto ter um desfecho SAUDÁVEL tanto para a mãe como para o bebé.

Até aqui estamos todos de acordo!

Será então relevante esclarecer o que cada um de nós entende por “saudável”, com o intuito de compreender se todos os envolvidos no processo partilham do mesmo conceito e se estão a investir e dirigir o seu tempo e energia  para o mesmo propósito ou se seguem na mesma auto-estrada, mas em sentidos diferentes.

Há uma tendência para considerar que saúde é oposto de doença, e daí que muitos de nós concluamos que uma pessoa que não tem manifestação física de doença, se encontra saudável. 

Desde 1947 que a OMS (Organização Mundial de Saúde) reconhece que o ser humano funciona enquanto um TODO e que todas as áreas da nossa vida (mental, física, social, emocional) são interdependentes! 

Saúde é um estado de bem-estar fisico, psicológico, emocional e social e o fenómeno da interdependência significa, exactamente como a palavra indica, que todas as áreas da nossa vida se influenciam entre si  – positivamente ajudando a criar equilíbrio, e de forma menos positiva ou até mesmo nefasta criando manifestações de desequilíbrio que podem ser temporários ou acabar por se tornarem crónicos quando insistimos em ignorar ou mascarar os sinais.

Se o conceito de saúde para além de superar a ausência de doença também tem o fenómeno de interdependência entre as diferentes áreas de vida do ser humano como uma das suas características, significa que deveremos cuidar de todas as esferas da nossa vida de igual forma, pois o desequilíbrio em qualquer uma delas poderá afetar o equilíbrio das outras. 

Assim, e sabendo que as nossas emoções e a forma como as gerimos, influenciam o nosso estado de equilíbrio fisico e psicológico, é claro que a mulher que estiver emocionalmente equilibrada e bem nutrida durante a gravidez estará a assegurar o seu bem-estar bem como o do seu bebé durante a gestação.

E o mesmo se passará em relação ao dia do nascimento!

 

 

Entendemos, então porque se fala tanto nas doulas e na importância do seu apoio ao longo da gravidez e do parto.

Sempre que oferecemos condições ás gestantes ou aos casais para viverem a sua gravidez de forma tranquila, informada e que lhes seja dada a oportunidade de irem reconectando com o seu poder pessoal, estamos a criar as condições para que tenham um parto dito natural e sem intervenções. Por isso , sim (!) Segurança e informação é poder!

Se quem estiver a acompanhar a mulher entender o quão estruturante o suporte emocional é essencial, para o desenrolar considerado “óptimo” do trabalho de parto, vai perceber que sentindo-se apoiada e segura essa mulher, entrega-se ao processo e não o restringe ou bloqueia. 

E é assim numa dança que parturiente e equipa vão descobrindo e identificando as suas necessidades presentes que lhe facilitam o percurso.

E se alguém da equipa oferecer um toque suave á parturiente e ela disser “APERTA” é porque é para apertar, e quando ela diz “SOLTA” é para soltar!

O papel de qualquer profissional que esteja na assistência ao parto ( de uma gravidez normal e considerada de baixo risco) é antes de mais observar e com base no seu conhecimento técnico e da fisiologia do parto agir/ intervir apenas com consentimento e em caso de necessidade.

Cada corpo, cada parto e cada bebé são diferentes e é preciso saber confiar num conhecimento que nos extrapola a todos, porque é intrínseco.